Tenho medo de retirar o silicone e me arrepender depois. O que fazer?

Esse talvez seja um dos maiores medos das mulheres que cogitam retirar suas próteses de silicone. O receio de olhar no espelho e não gostar do resultado, de sentir falta do volume ou de pensar que tomou uma decisão precipitada faz com que muitas pacientes adiem essa escolha por meses ou até anos. É um medo legítimo, que merece ser respeitado e acolhido, e não minimizado.

O primeiro ponto que costumo dizer às minhas pacientes é que o medo não deve ser o responsável pela decisão. Antes de decidir manter ou retirar os implantes, procure se informar. Muitas mulheres colocaram silicone quando eram muito jovens, em uma época em que não receberam todas as informações disponíveis hoje. Outras fizeram o procedimento em um momento específico da vida, buscando melhorar a autoestima ou corrigir uma característica corporal. Cada uma tomou a melhor decisão que podia com o conhecimento que tinha naquele momento.

Agora a situação é diferente. Você já conhece seu corpo, já sabe como foi sua experiência com os implantes e tem a oportunidade de fazer uma nova escolha de forma muito mais consciente. E, na minha opinião, essa informação não é apenas um direito, mas também um dever consigo mesma. Antes de qualquer cirurgia, procure entender os benefícios, as limitações, os riscos e todas as alternativas existentes.

Também é importante compreender que existem perfis muito diferentes de pacientes. Algumas continuam satisfeitas com suas próteses e não possuem qualquer motivo para pensar em retirá-las. Outras apresentam complicações locais ou doenças relacionadas aos implantes, situações em que a retirada passa a ser uma necessidade médica e o medo da aparência perde espaço para a preocupação com a saúde.

Existe ainda um terceiro grupo, talvez o mais numeroso. São mulheres que não apresentam uma doença relacionada ao silicone, mas que começaram a questionar se ainda faz sentido permanecer com os implantes. Mudaram de estilo de vida, amadureceram, passaram por gestações, envelheceram naturalmente ou simplesmente desejam um resultado mais discreto e natural. É justamente nessas pacientes que o medo do arrependimento costuma ser mais intenso.

Na prática, existem alguns perfis que realmente merecem uma conversa ainda mais cuidadosa. Mulheres muito magras, com pouquíssima gordura disponível para enxertia, ou pacientes submetidas à reconstrução mamária após tratamento do câncer podem apresentar menos opções para reposição de volume após o explante. Nesses casos, o planejamento deve ser bastante individualizado.

Por outro lado, para a maioria das mulheres, especialmente aquelas próximas ou acima dos 40 anos, costuma existir uma pequena reserva de gordura corporal que pode ser utilizada por meio da lipoenxertia mamária. Quando bem indicada, essa técnica permite recuperar parte do volume das mamas utilizando a própria gordura da paciente, proporcionando um aspecto bastante natural. Se o volume obtido ainda não for suficiente, a lipoenxertia pode ser realizada novamente, uma, duas ou até mais vezes, sempre respeitando os limites de segurança e as características individuais de cada organismo. Nos casos em que existe flacidez importante de pele, a mastopexia pode ser indicada para reposicionar e remodelar as mamas.

Outro ponto que considero importante esclarecer é que retirar o silicone não impede uma futura recolocação de próteses, caso essa seja a vontade da paciente. Essa possibilidade continua existindo. Apenas faço questão de esclarecer que eu não realizo cirurgias para colocação de implantes mamários. Minha atuação é voltada ao explante e às técnicas reconstrutivas sem próteses. Caso, no futuro, a paciente decida voltar a utilizar implantes, ela poderá procurar um colega que trabalhe com esse tipo de procedimento.

Se eu pudesse deixar uma única mensagem, seria esta: não permita que o medo decida por você. Permita que a informação faça esse papel. Procure fontes confiáveis, leia bons materiais, acompanhe profissionais que tratem o tema com equilíbrio e busque uma avaliação individualizada. A decisão correta não é retirar o silicone nem mantê-lo a qualquer custo. A decisão correta é aquela que faz sentido para a sua história, para o momento da sua vida e para os seus objetivos, tomada com tranquilidade, conhecimento e segurança