Dr. Juldásio Galdino esclarece sobre a importância do explante de silicone: por que não adiar?
Nos últimos anos, cresce o número de mulheres que optam pela remoção das próteses de silicone, seja por questões estéticas, seja por problemas de saúde. O explante mamário é um procedimento cirúrgico que vem ganhando destaque, especialmente devido ao aumento dos relatos de complicações associadas ao implante de silicone. No entanto, muitas pacientes ainda hesitam em tomar essa decisão, adiando um procedimento que pode ser essencial para sua saúde e bem-estar.
Os riscos da demora: um problema progressivo
Estudos indicam que, em média, os sintomas de problemas relacionados ao implante de silicone começam a surgir entre 5 e 6 anos após a cirurgia. No entanto, esse período pode variar de paciente para paciente. O principal alerta é que esses sintomas tendem a piorar com o tempo, tornando-se um problema progressivo. Quanto mais tempo a paciente adia a retirada das próteses, maiores são os riscos para sua saúde.
Principais sintomas: quando suspeitar de complicações
Muitas mulheres desconhecem os sinais de que algo não vai bem. Os sintomas mais comuns incluem fadiga extrema, dores musculares e articulares, queda de cabelo, alterações hormonais, ansiedade e depressão, além de problemas imunológicos e inflamatórios. Em alguns casos, podem ocorrer reações autoimunes, como a Síndrome Autoimune Induzida por Adjuvantes (ASIA), que está relacionada à presença de substâncias nos implantes que ativam o sistema imunológico de forma desregulada.
Contratura capsular e BIA-ALCL: complicações sérias
Entre os problemas mais graves associados ao silicone estão a contratura capsular – um endurecimento anormal ao redor da prótese, causando dor e deformidade – e o linfoma anaplásico de grandes células associado ao implante mamário (BIA-ALCL). Segundo a FDA (U.S. Food and Drug Administration), esse linfoma raro pode ocorrer anos após a colocação da prótese, reforçando a necessidade de acompanhamento médico constante e a consideração do explante em pacientes sintomáticas.
Explante em bloco: a forma mais segura de retirada
O explante em bloco é a técnica recomendada para a remoção das próteses de silicone, especialmente em casos de sintomas sistêmicos. Nesse procedimento, a cápsula fibrosa que se forma ao redor do implante é retirada junto com a prótese, evitando que resíduos de silicone e outras substâncias tóxicas entrem na corrente sanguínea. Esse método oferece mais segurança e melhores resultados na recuperação da paciente.
Evidências científicas e diretrizes médicas
A ASPS (American Society of Plastic Surgeons) reforça a necessidade de estudos contínuos sobre os efeitos dos implantes de silicone no organismo e recomenda que mulheres sintomáticas discutam com seus médicos a possibilidade de remoção. No Brasil, a SBCP (Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica) também reconhece os riscos e enfatiza a importância de um acompanhamento adequado. O Dr. Mark Clemens, pesquisador da FDA e especialista no estudo do BIA-ALCL, destaca que a conscientização sobre as doenças do silicone tem levado cada vez mais pacientes a optarem pelo explante preventivo.
Não adie a decisão: sua saúde em primeiro lugar
Se você tem implantes de silicone e apresenta sintomas suspeitos, não ignore os sinais do seu corpo. A evolução dos problemas é progressiva, e quanto antes for realizada a cirurgia, melhores são as chances de recuperação plena. Procure um cirurgião plástico qualificado, comprometido com a sua saúde e com os princípios corretos para a realização do explante seguro. O mais importante é garantir que seu bem-estar esteja sempre em primeiro lugar.