Preciso mesmo retirar minhas próteses? O que pode acontecer se eu decidir mantê-las?

Uma das dúvidas mais frequentes entre mulheres que apresentam sintomas e possuem implantes mamários é justamente esta: será que os meus sintomas têm alguma relação com o silicone? E, se tiverem, o que acontece se eu decidir não retirar as próteses?

A verdade é que muitas pacientes vivem um período de incerteza. Algumas percebem claramente que eram saudáveis antes da colocação dos implantes e que, anos depois, começaram a apresentar sintomas que foram surgindo gradualmente. Outras não têm tanta certeza. Afinal, cansaço, dores no corpo, dificuldade de concentração, alterações do sono, ansiedade e diversos outros sintomas também podem estar relacionados ao estresse, à menopausa, à sobrecarga da rotina, às responsabilidades familiares e profissionais ou a outras doenças.

Por isso, é importante entender que nem todo sintoma em uma mulher com implantes é necessariamente causado pelo silicone. Cada caso deve ser avaliado individualmente.

Entretanto, quando existe uma associação muito clara entre o surgimento dos sintomas e a presença dos implantes, especialmente quando os sintomas se tornam progressivamente mais intensos, mais frequentes e mais incapacitantes, a possibilidade de participação dos implantes nessa condição passa a merecer atenção.

Na prática clínica, algumas pacientes apresentam um padrão muito semelhante: eram saudáveis antes da cirurgia, permanecem bem durante algum tempo após a colocação dos implantes e, anos depois, começam a desenvolver sintomas que se intensificam progressivamente. Muitas vezes, passam por diversos especialistas, realizam inúmeros exames e, apesar de toda a investigação, os resultados permanecem normais ou sem uma explicação definitiva para o quadro apresentado.

Nessas situações, surge uma pergunta importante: o que a ciência mostra sobre mulheres que apresentam sintomas e optam por retirar os implantes?

Uma revisão sistemática publicada por Ferreira e colaboradores demonstrou que aproximadamente 81,9% das pacientes relataram melhora dos sintomas após a retirada dos implantes mamários (Ferreira et al., 2025). Os sintomas que mais frequentemente apresentaram melhora foram fadiga, dores articulares, dores musculares e dificuldades cognitivas.

Outro trabalho importante foi conduzido por Glicksman e colaboradores (2022), no estudo ASERF. Os pesquisadores avaliaram mulheres com sintomas sistêmicos atribuídos aos implantes, mulheres com implantes sem sintomas e mulheres sem implantes. Entre as pacientes sintomáticas que foram submetidas ao explante, observou-se melhora significativa dos sintomas após a retirada das próteses.

Esses estudos não significam que toda mulher com implantes apresentará problemas ou que todos os sintomas são obrigatoriamente causados pelo silicone. O que eles demonstram é que existe um grupo de pacientes que pode se beneficiar significativamente da retirada dos implantes quando existe uma associação clínica consistente.

Mas o que pode acontecer se a paciente decidir não retirar as próteses?

Se os sintomas realmente estiverem relacionados aos implantes, existe a possibilidade de que eles continuem evoluindo ao longo do tempo. A paciente pode perceber aumento da frequência dos sintomas, maior intensidade das queixas e surgimento de novos sintomas associados. Além disso, algumas mulheres desenvolvem alterações locais, como endurecimento das mamas (contratura capsular), dor, desconforto, assimetrias ou deformidades mamárias.

Muitas vezes, a paciente continua buscando respostas em diferentes especialidades médicas. Algumas recebem diagnósticos de condições que podem apresentar sintomas semelhantes, como fibromialgia, fadiga crônica, distúrbios hormonais, ansiedade, depressão ou doenças autoimunes. Em outras situações, uma dessas condições realmente é a responsável pelos sintomas. Por isso, uma investigação médica cuidadosa continua sendo fundamental.

Por outro lado, se os sintomas não tiverem qualquer relação com os implantes, a retirada das próteses provavelmente não será a solução para o problema. Nesse caso, a causa deverá ser procurada em outras áreas da medicina.

Também é importante lembrar que os implantes mamários não são dispositivos permanentes. Ao longo dos anos, podem surgir alterações estéticas e funcionais que levam muitas pacientes a considerar uma nova cirurgia, seja para troca ou retirada dos implantes. Com o passar do tempo, podem ocorrer contratura capsular, deslocamento dos implantes, perda do formato mamário, assimetrias e outras alterações relacionadas ao envelhecimento natural dos tecidos.

A mensagem mais importante é simples: observe a sua própria história.

Você era saudável antes dos implantes?

Os sintomas começaram apenas anos depois da cirurgia?

Eles vêm piorando progressivamente?

Existe dor, endurecimento ou desconforto nas mamas?

Você já realizou avaliações com diferentes especialistas e continua sem respostas satisfatórias?

Se a resposta para várias dessas perguntas for “sim”, talvez seja o momento de discutir essa possibilidade com um profissional que tenha experiência no acompanhamento de mulheres com implantes mamários e sintomas sistêmicos.

Não se trata de tomar uma decisão precipitada. Trata-se de compreender sua história, avaliar as evidências disponíveis e entender todas as possibilidades antes de decidir qual é o melhor caminho para você.

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Referências

FERREIRA, et al. Systematic Review of Breast Implant Illness and Outcomes After Explantation. 2025.

GLICKSMAN, C.; McGUIRE, P.; et al. Impact of Capsulectomy Type on Post-Explantation Systemic Symptom Improvement: Findings From the ASERF Systemic Symptoms in Women-Biospecimen Analysis Study. Aesthetic Surgery Journal. 2022.